Verburhoía
Verborreia [s. f.] - 1. Deprec. Fluxo palavroso; 2. Facúndia abundante e estéril; 3. Logorreia.
30 Apr 2011
Da macroeconomia
25 Apr 2011
lol, Portugal.
29 Jan 2011
"Are You Willing to Defend Libertarianism with Practicality-Based Arguments?"
18 Dec 2010
São duas da manhã e eis que:
14 Dec 2010
Dia da Defesa Nacional
Falta não JustificadaA falta não justificada implica:
- Aplicação de coima de 249,40€ a 1247€;
- Inibição para o exercício de funções públicas;
- Fixação de novo prazo para o dever de comparência ao Dia da Defesa Nacional.
- Acresce ainda que, em caso de necessidade de convocação, por falta de efectivos para a satisfação das necessidades fundamentais das Forças Armadas, o cidadão que faltou é, preferencialmente, chamado.
20 Nov 2010
NATO, paz e guerra
26 Oct 2010
A Economia como ciência A Priori
Unless we first postulate that people deliberately undertake previously planned activities with the goal of making their situations, as they subjectively see them, better than they otherwise would be, there would be no grounds for differentiating the exchange that takes place in human society from the exchange of molecules that occurs between two liquids separated by a permeable membrane. And the features which characterize the members of the class of phenomena singled out as the subject matter of a special science must have an axiomatic status for practitioners of that science, for if they reject them then they also reject the rationale for that science's existence.
[...]
What is notable about economics in this regard is just how much knowledge can be gained by hunting down the implications of its postulates. Carl Menger arrived at the great insight that the value of a good to an actor depends on its marginal utility to him based entirely on pursuing the consequences of the assumption that people act with the purpose of improving their circumstances. Mises's magnum opus, Human Action, is a magnificent display of the results that can be achieved along these lines.
[...]
One can understand and assent to the core truth about economics that Mises stressed, but nevertheless part ways with him over exactly what that truth means to the pursuit of economic science. For example, Mises's protégé F.A. Hayek, while agreeing with his mentor on the a priori nature of the "logic of action" and its foundational status in economics, still came to regard investigating the empirical issues that the logic of action leaves open as a more important undertaking than further examination of that logic itself.
Acabar de ler
3 Oct 2010
Monopólios e poder
"I cannot accept your canon that we are to judge Pope and King unlike other men with a favourable presumption that they did no wrong. If there is any presumption, it is the other way, against the holders of power, increasing as the power increases. Historic responsibility has to make up for the want of legal responsibility. Power tends to corrupt, and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men, even when they exercise influence and not authority: still more when you superadd the tendency or certainty of corruption by full authority. There is no worse heresy than the fact that the office sanctifies the holder of it."
- John Dalberg-Acton, 1st Baron Acton
29 Aug 2010
Da diferença
Não sejamos ingénuos. Se o programa do J.S. é um programa essencialmente humorístico, também defende um ponto de vista - se bem que o próprio J.S. deixa bem claro qual é o seu ponto de vista. Neste caso, estava a defender que G.B. não tem nenhuma moral para criticar o Governo/Estado quando faz exactamente a mesma coisa com os seus telespectadores. E aqui reside uma perigosa confusão (que não sei se é propositada, nem me interessa debater sobre isso): o facto de, supostamente, G.B. e o Governo/Estado fazerem a mesma coisa - isto é, interferirem na vida dos indivíduos - a verdade é que o que ambos fazem é completamente diferente.
Vejamos. O Estado foi definido por Max Weber como o detentor legítimo do monopólio do uso poder coercivo da força. Ignorando, por ora, se é ou não legítimo, a verdade é que a realidade é que o Estado é actualmente a única instituição que pode legalmente coagir os indivíduos a agir de modo diferente através da ameaça (ou prática) do uso da força. Graças ao uso das forças policias e afins, o Estado dá um forte (decisivo?) incentivo para não se incorrer em comportamentos que ele não aprova. Portanto, quando G.B. diz que o Estado interfere na vida dos indivíduos não está a dizer nenhuma mentira, está a constatar um facto.
O caso de G.B. é diferente. Ele não pode recorrer legalmente à força para obrigar os seus telespectadores/ouvintes/leitores a cumprirem aquilo que ele diz. Se é verdade que ele usa falácias argumentativas para atingir o seu fim, G.B. não dispõe das mesmas armas do Estado para o fazer. Está, essencialmente, a fazer uso do seu direito de expressão de uma opinião com a qual a sua audiência poderá ou não concordar. Está a argumentar. E não há nada de errado moralmente com essa situação - pelo menos, para qualquer pessoa que defenda a liberdade.
Será então aquilo que J.S. procura demonstrar verdade? Nem por sombras. G.B. pode ou não ter razão naquilo que diz, mas tem todo o direito em procurar influenciar o seu público para algo que ele ache mais correcto. G.B. não obriga as pessoas a fazerem aquilo que ele sugere, elas são livres de mudar de canal, de o mandar dar uma volta, de o ignorar, de discordar dele e de fazerem o mesmo que ele. O Estado, por seu lado, força os indivíduos a cumprirem aquilo que "sugere". Dá fortíssimos incentivos (que mais nenhuma instituição pode jamais oferecer dentro dos termos da lei) para que a sua vontade seja cumprida. Por isto, G.B. e o Estado estão em planos morais completamente distintos. G.B. tem toda a moral para fazer aquilo que faz. Será sempre interessante pensar se o Estado também a tem.
23 Jul 2010
Liberalismo em Portugal? Isso existe? (IV)
CDS-PP, PSD e PCP criticam «liberalização total» dos centros de inspecções automóveis
O PSD considera que a nova legislação pode pôr em causa a segurança rodoviária e ao propor uma «total liberalização da actividade dos centros de inspecção automóvel» vai permitir «a instalação de um grau de concorrência excessivo».Esta liberalização poderá também «conduzir a padrões de menor exigência, com resultados manifestamente negativos para os objectivos que devem nortear esta actividade. Potencia situações de concorrência desregulada e oferta de serviços de menor quantidade, podendo pôr em causa os princípios da segurança rodoviária», alegam os sociais-democratas.
Durante esta última semana, falou-se muito do liberalismo (sob a forma do "neo-liberalismo") em Portugal, porque ao que parece a saúde e a educação vai deixar a ser "tendencialmente gratuita" para passar a ser algo exactamente igual. Acusou-se o PSD e o seu líder de serem "neo-liberais", de estares a servir os interesses "capitalistas neo-liberais", de quererem fazer um golpe de Estado e de quererem voltar ao Estado Novo - sim, eu sei, é brilhante! São ao mesmo tempo liberais e querem voltar ao Estado Novo!
De qualquer modo, não me entra na cabeça como é que os "neo-liberais" do PSD se mostram contra a "concorrência excessiva". Como é que os "neo-liberais", frequentemente atacados por serem a favor do "mercado desregulado", se lembram agora que a "concorrência excessiva" e a liberalização de um sector são coisas más?
Esperem lá. Já sei. A resposta está no último período que copiei para aqui. "Sociais-democratas". Pois, devia ter-me lembrado. A nossa direita é composta por socialistas. Por isso é que não existe liberalismo em Portugal.4 Jul 2010
Coisas que não batem certo (III)
Jerónimo diz a Sócrates que acerte palavras com políticas no que toca a «neoliberalismos»
O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que o primeiro ministro deve «acertar» as palavras que diz com a política que pratica, abandonando o «ultra neoliberal processo de privatizações»
Parece que estou a ver uma qualquer notícia de amanhã: «Francisco Louçã: "Governo do Partido Socialista deveria parar com estas medidas ultra mega super libertárias, como por exemplo o aumento dos impostos."». Enfim. "Neoliberalismo", "ultraliberalismo", "ultra neoliberalismo", quando é que esta gente para de inventar termos?
Coisas que não batem certo (II)
Pienso que las posiciones de la Comisión Europea, desde hace muchos años, derivan no sólo de posiciones económicas, sino también de posiciones ideológicas ultraliberales contra la presencia del Estado.
Em primeiro lugar, não sei o que é, segundo a ciência política, uma ideologia "ultraliberal"; pelo menos, e aqui estou a confessar a minha ignorância, nunca me foi ensinado o que é o "ultraliberalismo". No entanto, vamos dar um passo em frente e, por uma questão de simplificação, assumir que o Primeiro Ministro está a falar de uma posição minarquista/libertária.
Gostaria então de perceber como é que a ainda maior centralização da tomada de decisão, em instituições ainda mais distantes dos indivíduos, sem ser sequer possível argumentar a bela treta do implícito "contrato social" (ênfase no implícito) pode ser considerada uma medida "ultraliberal". E, ainda melhor, gostaria de perceber como é eles dizerem "bem, se calhar o Estado não deve ter acções especiais que permitam contrariar mais de 70% dos accionistas" é uma medida "ultraliberal" - se a UE ainda dissesse "bem, se calhar o Estado Português devia era começar a pensar em reduzir muito seriamente o seu tamanho", eu percebia o Srº José Sócrates. Mas eles estão apenas a dizer "bem, mantenham lá o Estado, deixem é de se armar ao pingarelho nas AGs de empresas privadas".
Já tenho dito, este Srº Pinto de Sousa teve o diploma em Ciência Política Técnica ao Domingo.
Coisas que não batem certo
Governo diz que não usou golden share para vetar a venda da Vivo à Telefónica
O Governo argumenta que juridicamente aquilo que está em causa não é uma golden share (GS), mas sim 500 acções com direitos especiais, que foram votadas na assembleia geral (AG) da PT e por isso estão consagradas nos estatutos da empresa. (...) Ou seja, de acordo com fonte do executivo de José Sócrates, as 500 acções especiais "não constituem uma golden share".
Público, 4 de Julho de 2010:
Sócrates defende “golden share” e acusa Comissão Europeia de “posições ideológicas ultraliberais”
O primeiro-ministro explica ter usado a “golden share” a pensar “nos interesses estratégicos da PT” e lamenta que a Telefónica “não tenha negociado com a direcção da PT”.
Afinal de contas, era ou não era uma Golden Share, senhor doutor/engenheiro/seja lá o que for? E antes que perguntem, sim, o Primeiro Ministro disse mesmo que concordava com o uso da "suposta" Golden Share. É logo a primeira pergunta.
1 Jul 2010
Outras paragens
http://ladoerradodapauta.wordpress.com/
Vou deixar este blog mais parado durante uns tempos, e vou dedica-lo exclusivamente à "política" e à "economia" (provavelmente numa vertente mais científica do que propriamente de comentário da actualidade). Logo se vê.
27 Jun 2010
Liberalismo em Portugal? Isso existe? (III)
Escrevi aqui há uns tempos a seguinte frase: "Não é possível ensinar o liberalismo na escola. As escolas em Portugal são, quase sem excepção, colectivos socialistas que ensinam os males do mercado e o bem que o Estado faz à economia - quando abordam estes assuntos, claro.". Agora sinto-me tentado a desenvolver este ponto.
Mas primeiro, uma pequena contextualização: sou (era até pouco tempo, vá) aluno do 12º na área de Ciências Sócio-Económicas; tive Economia A no 10º e 11º e agora tenho Economia C (não existe Economia B, tanto quanto sei). O programa de Economia C é orientado para as questões e problemáticas do desenvolvimento no mundo contemporâneo. O livro adoptado pela nossa escola é o "Economia C 12º Ano" da Texto Editores. Na página 236 e 237 podemos encontrar o exemplo acabado daquilo que procuro demonstrar. Passo a citar (os bolds e itálicos não são da minha autoria):
Desde 1960, que as desigualdades sociais no planeta se têm vindo a acentuar. Nos EUA, cerca de 40 milhões de cidadãos encontram-se excluídos dos sistemas sociais e o salário médio real tem vindo a reduzir-se desde 1973; (...) Em Portugal, também têm vindo a aumentar as fracturas sociais e a pobreza. Por sua vez, nos países do Sul, 160 milhões de crianças passam fome e 100 milhões delas vivem nas ruas. Paralelamente, as riquezas produzidas anualmente no mundo aumentaram oito vezes, desde há 40 anos.
Estes exemplos ilustram algumas das consequências da globalização neo-liberal, que acentua o individual relativamente ao social, criando sociedades de fracturas sociais e de grandes desigualdades. O ressurgimento das doutrinas neoliberais, a partir da década de 70 (...) proporcionou um conjunto de reformas que têm vindo a desmantelar a dimensão social do Estado-providência e a fundamentar as desigualdades sociais, a partir de concepções individualistas. Estas culpabilizam o indivíduo, em geral, da situação em que se encontra, pois a noção de responsabilidade individual pretende pôr em causa o projecto mais igualitário que havia prevalecido na década de 1960.
Começando pelo princípio, o ad misericordiam presente é brilhante ("Se não concordarem connosco e fizerem o que dissermos, X milhões de pessoas vão morrer à fome e de doenças!"). No entanto, parece-me que os autores se "esquecem" de um pequeno pormenor muito engraçado: nestes tais 30 ou 40 anos em que o "neo-liberalismo" se instalou, se "desmantelou" a dimensão social do Estado e se criaram sociedades de "fracturas sociais e de grandes desigualdades", a grande maioria (para não dizer a totalidade) dos países onde isso aconteceu era (e continua a ser) democrático - ou seja, as decisões políticas que levaram a essas grandes desigualdades e fracturas e tudo mais foram, ao longo dos anos, legitimadas pelo fantástico processo democrático, que foi apregoado durante o livro como a melhor coisa do mundo. Parece que, afinal, não é. Parece que afinal o processo democrático só é fantástico quando nós concordamos com as decisões - não serve para justificar qualquer decisão. Bem-vindos a uma das (grandes) limitações da Democracia, malta! Mas que mais seria de esperar? Avante.
Também acho muito, muito engraçado que se fale de "globalização neo-liberal" que "acentua o individual relativamente ao social" e dar o exemplo de Portugal para o justificar. Sim, Portugal, esse grande exemplo da revolução "neo-liberal" do 25 de Abril, das acções "neo-liberais" do PREC, dos governos "neo-liberais" dos últimos 35 anos, do "neo-liberal" do Sócrates, do Guterres, do Barroso ou do Cavaco. Esta sociedade Portuguesa, onde o "individual" é claramente tido em maior consideração relativamente ao "social". Foi certamente graças ao "neo-liberalismo" que as "têm vindo a aumentar as fracturas sociais e a pobreza" em Portugal. Se calhar, o Guterres, quando meteu na gaveta o socialismo, tirou de lá o "neo-liberalismo". Aposto que foi isso! E ninguém me avisou, bolas.
É igualmente espectacular - mas nada surpreendente - o facto de também usarem os "países do Sul" para mostrarem quão más são estas teorias individualistas. Aposto que foram as teorias individualistas que condenaram à pobreza todos os países em África com revoluções "neo-liberais" que aconteceram, por exemplo, em Moçambique depois da independência. Aposto que a culpa da existência de pobres na América do Sul (em especial em países como a Venezuela e Bolívia) é das teorias individualistas que os seus líderes "neo-liberais" põem em prática.
De ressaltar ainda o facto de as teorias individualistas "culpabilizarem o indivíduo, em geral, da situação em que se encontra". Realmente, não me parece bem. Não me parece nada bem que se estrague o tal "projecto mais igualitário" com essas coisa menores como a "responsabilidade individual". Que teoria tão pouco humana, essa de oferecer ao indivíduo um estatuto moral que o faça ser livre de tomar as suas decisões e de arcar com as consequências (sejam elas positivas ou negativas). Ridículo.
Enfim. Li muita vezes que os políticos que temos são formados nas juventudes partidárias. Sinceramente, eu acho que são formados na escola. É lá que aprendem que não a solução nunca é "menos Estado" - esse é o problema, na realidade.
É por isto que não temos Liberalismo em Portugal. As pessoas são formadas para serem cidadãos e não seres humanos: são ensinadas a decorar e não a pensar. Desde de que se comportem de acordo com o que é ensinado, tudo está bem.