28 Jul 2009

Educação/Ensino - Parte 2

Depois do primeiro post, e como prometido, gostaria de desenvolver as 3 ideias lá contidas. Uma ideia por post, para não ficar um testamento como ficou o outro. Este post irá ser para falar da questão das actividades extra-curriculares e os incentivos.

Este é, para mim, o ponto (a bem dizer, os pontos) onde o sistema de ensino Português mais falha.

As escolas são instituições com características muito próprias: é aqui que o aluno passa a maior parte do seu dia, é aqui que fazem a maior parte dos amigos, é aqui que têm a oportunidade de discutir ideias e ideais, é aqui que ocorre a quase maioria da aprendizagem (tenho perfeita noção que nem sempre é assim, e eu sou um caso disso), entre outras coisas.
É também importante referir que me parecem incontestáveis os benefícios da prática de actividades extra-curriculares - leia-se, praticas desportivas, palestras, oficinas, clubes, etc. Permitem um desenvolvimento corporal e mental mais equilibrado, uma outra forma de socialização, uma maneira de dar objectivos aos adolescentes, etc.
Os estabelecimentos de ensino devem ter um papel preponderante na ligação entre o aluno e estas actividades. A situação ideal seria a própria escola a proporcionar tal. Caso não seja possível (ou por falta de estruturas, ou por falta de alunos), escolas dentro da mesma cidade/concelho tentariam chegar a acordo para providenciar aos alunos a oportunidade de conseguir ingressar na actividade predilecta.
No entanto, nem tudo é simples. Toda esta questão leva a um esforço por parte das escolas que não acredito que seja possível conseguir num futuro próximo. Não só por todas as questões burocráticas e orçamentais que esta nova situação acalentava, mas também pela própria disponibilidade por parte de alguns professores para trabalharem de graça - não acredito que seja possível pagar aos professores para desenvolverem este tipo de trabalhos com os alunos.

Quanto aos incentivos, o panorama é pior. Mas começando pelo princípio.
A ideia por detrás dos incentivos - que podem assumir uma forma monetária ou não, mas preferencialmente sim - foi abordada na primeira parte. Faz falta algo que galvanize os alunos a dar o seu máximo, ou, pelo menos, faz falta algo tangível para esse efeito (e não apenas o "se te aplicares vais ter um melhor emprego", o que até é mentira). É necessário que os alunos sejam estimulados a dar perto do máximo da sua capacidade intelectual, e nada melhor que uma recompensa para incentivar os alunos a dedicarem-se aos estudos.
No entanto, este tipo de incentivos não seria dado ao(s) "aluno(s) com melhores notas". Esse tipo de abordagem é errada, pois 1) alunos em turmas diferentes e com professores diferentes não podem ser postos lado a lado, ignorando todas as diferenças; 2) nos termos do ensino actual, acabaria por ser para dar maioritariamente ao aluno mais marrão - e aqui não me interpretem mal, nada contra com quem estuda com afinco, mas isso não faz dele o "melhor aluno"; 3) incentivaria os alunos na direcção errada: o decorar em vez do perceber.
A questão aqui é que se pode seguir por dois caminhos: ou se atribuem prémios individuais que realçam o mérito de um indivíduo numa categoria (desporto, matemática, geografia, etc) ou terá que se identificar precisamente o que é o "melhor aluno": será, com certeza, um aluno que seja bastante bom em todas as disciplinas, podendo até não ser o melhor em cada disciplina em específico - e quando digo disciplinas, não me refiro apenas às que cada aluno frequenta, mas sim a situações mais gerais: argumentação, raciocínio, imaginação, etc. Para esta avaliação existir, teriam que existir concursos que pusessem em pé de igualdade todos os alunos - e, para bem, estes concursos seriam organizados num concurso entre as escolas dentro do mesmo espaço geográfico.
Penso que a ideia ainda está algo em maciço, mas penso que se conseguem perceber as linhas gerais.

Parte 2, concluída.

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