Hoje deparei-me com o blog da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico (vulgo, DNAEESB - irra, que estes camaradas bem que precisavam de uma sigla mais curta). De modo curto e grosso, são uma espécie de sindicato dos alunos; são, tanto quanto sei, a maior associação do género e quem assume a representação dos alunos juntos dos órgãos de soberania. Por estas razões, ao ler os diversos textos que têm lá presentes, chateia-me que a demagogia presente lá atinja níveis estrondosos. Chateia-me que sejam estas pessoas a "representar-me" (forte ênfase nas aspas).
Gostaria de me debruçar sobre este post. Acaba por ser o mais recente, e onde fica bem explícito todo o mindset dos senhores e senhoras. E, para além disso, é uma pequena delícia para pessoas como eu.
Começando pelo início:
Para além de completamente desprovido de sentido e do mais brilhante politicamente correcto, esta passagem conseguiu fazer um salto argumentativo tão grande que por momentos pensei que.. enfim. Se, de facto, me é possível concordar que a educação se assume como um factor importante no desenvolvimento do Homem, não consigo perceber que tipo de elo de ligação é utilizado entre os dois períodos. Uma coisa não leva a outra. O facto de as experiências sexuais serem um factor emancipador do ser humano e parte estruturante da formação integral de cada um - já viram bem o que era um ser humano que não cumpre a sua principal função, a perpetuação da espécie? - não faz que com exista um direito ao sexo nem tampouco uma garantia de que o Estado fornecerá sexo de forma Pública, Gratuita, de Qualidade e Democrático. E quem fala de sexo, fala de comida, de bebida e afins. Ao quererem justificar a existência desses 4 pontos num sistema de educação, façam-no de outra maneira, por favor.
De qualquer modo, gostaria de me perguntar o porquê da existência desses 4 pontos. Em primeiro lugar, o porquê de ter de ser o Estado a providenciar o Ensino - ou seja, porque é que a educação terá de ser obrigatoriamente pública? Os privados não estão habilitados a ensinar? Mas então, porque é que são sucessivamente os privados a obter melhor rendimentos escolares no único elemento de avaliação comum do ensino português - o privado? Em segundo lugar, Gratuita?! Mas estes indivíduos só podem ser parvos - não há almoços grátis. Os nossos pais - e até nós, em certa parte - financiam a 100% o sistema de ensino através de impostos e afins. Se não pagamos directamente, certo, paga-mo-la de modo indirecto. E, digo mais, pagamos mais neste sistema do que num sistema do estilo cheque escola - à lá Suécia. Seguidamente, a Qualidade. Seria bom que alguém me explicasse o que é qualidade. E, depois, se acha que essa definição de qualidade é global - ou seja, se toda a gente partilha dela. E ainda, se à pergunta anterior respondeu que não, se acha que devia haver uma partilha da sua definição de qualidade. E finalmente, se acha correcto que se imponha uma definição de qualidade a uma pessoa. Para acabar, falta a Democrática. E aqui, admito, o meu curto intelecto não me permite atingir o que raio é um sistema de ensino democrático. Os alunos votam as suas notas, será isso?
Mas vamos avançar. A procissão ainda vai no adro.
Um bocadinho mais à frente:
Boa. Afinal não querem acabar com os exames, e até reconhecem aquilo que eu disse. Mas então porque raio é que no abaixo assinado que eles estão a promover, um dos pontos é precisamente o "Fim dos Exames Nacionais". Bem, parece que a coerência não é o forte destes rapazes e raparigas. E já agora, porque é que, para reflectir na mudança, os membros do MinEdu devem ter em conta a opinião dos representantes dos estudantes? E, já agora, quem elegeu esses representantes? A mim ninguém me perguntou nada.
Enfim. São estes bacanos que me "representam". Estamos lixados.
Gostaria de me debruçar sobre este post. Acaba por ser o mais recente, e onde fica bem explícito todo o mindset dos senhores e senhoras. E, para além disso, é uma pequena delícia para pessoas como eu.
Começando pelo início:
A educação é um factor emancipador do ser humano e parte estruturante da formação integral de cada um. Assim, o direito à educação é universal e deve ser garantido pelo Estado de forma Pública, Gratuita, de Qualidade e Democrática para todos.
Para além de completamente desprovido de sentido e do mais brilhante politicamente correcto, esta passagem conseguiu fazer um salto argumentativo tão grande que por momentos pensei que.. enfim. Se, de facto, me é possível concordar que a educação se assume como um factor importante no desenvolvimento do Homem, não consigo perceber que tipo de elo de ligação é utilizado entre os dois períodos. Uma coisa não leva a outra. O facto de as experiências sexuais serem um factor emancipador do ser humano e parte estruturante da formação integral de cada um - já viram bem o que era um ser humano que não cumpre a sua principal função, a perpetuação da espécie? - não faz que com exista um direito ao sexo nem tampouco uma garantia de que o Estado fornecerá sexo de forma Pública, Gratuita, de Qualidade e Democrático. E quem fala de sexo, fala de comida, de bebida e afins. Ao quererem justificar a existência desses 4 pontos num sistema de educação, façam-no de outra maneira, por favor.
De qualquer modo, gostaria de me perguntar o porquê da existência desses 4 pontos. Em primeiro lugar, o porquê de ter de ser o Estado a providenciar o Ensino - ou seja, porque é que a educação terá de ser obrigatoriamente pública? Os privados não estão habilitados a ensinar? Mas então, porque é que são sucessivamente os privados a obter melhor rendimentos escolares no único elemento de avaliação comum do ensino português - o privado? Em segundo lugar, Gratuita?! Mas estes indivíduos só podem ser parvos - não há almoços grátis. Os nossos pais - e até nós, em certa parte - financiam a 100% o sistema de ensino através de impostos e afins. Se não pagamos directamente, certo, paga-mo-la de modo indirecto. E, digo mais, pagamos mais neste sistema do que num sistema do estilo cheque escola - à lá Suécia. Seguidamente, a Qualidade. Seria bom que alguém me explicasse o que é qualidade. E, depois, se acha que essa definição de qualidade é global - ou seja, se toda a gente partilha dela. E ainda, se à pergunta anterior respondeu que não, se acha que devia haver uma partilha da sua definição de qualidade. E finalmente, se acha correcto que se imponha uma definição de qualidade a uma pessoa. Para acabar, falta a Democrática. E aqui, admito, o meu curto intelecto não me permite atingir o que raio é um sistema de ensino democrático. Os alunos votam as suas notas, será isso?
Mas vamos avançar. A procissão ainda vai no adro.
Espera, consideram? E ninguém me diz nada? Mas isto quer dizer que eu também considero? E ninguém me diz mesmo nada? De qualquer maneira, para quem defende tão afincadamente a "Escola Pública", é um bocado idiótico - sem ofensa - que se queira acabar com o único método de igualização de resultados entre a escola privada e a pública; o único modo de permitir que os alunos do público e do privado sejam avaliados pela mesma bitola.
Os estudantes consideram que os Exames Nacionais são uma forma injusta de avaliação que desvaloriza a avaliação contínua e deturpa o papel da escola e da educação na sociedade.
Um bocadinho mais à frente:
No entanto reconhecemos a necessidade da existência de métodos de avaliação que diminuam a desigualdade na atribuição de notas. Assim apelamos à reflexão e mudança da forma como são feitos os exames por parte do Ministério da Educação, tendo em conta que o debate sobre esta deve ser feito com os representantes dos estudantes
Boa. Afinal não querem acabar com os exames, e até reconhecem aquilo que eu disse. Mas então porque raio é que no abaixo assinado que eles estão a promover, um dos pontos é precisamente o "Fim dos Exames Nacionais". Bem, parece que a coerência não é o forte destes rapazes e raparigas. E já agora, porque é que, para reflectir na mudança, os membros do MinEdu devem ter em conta a opinião dos representantes dos estudantes? E, já agora, quem elegeu esses representantes? A mim ninguém me perguntou nada.
O Estatuto do Aluno que ataca os direitos dos estudantes e a democracia e aparece como um “código penal” para as escolas, com o seu Regime de Faltas que as limita injustamente.AHN?! O Estatuto do Aluno é certamente uma palhaçada, no doubt. Mas daí a atacar a democracia, vai tipo uma viagem Porto-Lisboa num regional. E, já agora, como é que se limita "injustamente" as faltas dos alunos? Mas a ideia não é a de os alunos não darem faltas? E darem 2 ou 3 vezes o número de tempos semanais em forma de faltas por período/ano não é mais que suficiente? E mesmo que faltem, o que acontece? Uma prova de recuperação, grande coisa. Nem sequer é suficiente para reprovar um aluno.
Contra a privatização das escolas, que se faz sentir em muitos serviços como papelarias, bares, refeitórios ou campos desportivosÉ pá. A privatização do refeitório da minha escola foi a garantia de que se passou a comer decentemente lá. Foi também a garantia que as greves dos funcionários não fechavam automaticamente a escola. Mas enfim, esta alergia aos privados é sintomática de blocos de esquerda e afins.
Enfim. São estes bacanos que me "representam". Estamos lixados.
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