Hoje cruzei-me com um vídeo do The Daily Show, do Jon Stewart (J.S.), que procura ridicularizar as posições que o Glenn Beck (G.B.) assume diariamente no seu programa na Fox, bem como em outras situações. Para mim, não podia haver melhor: gosto do tipo de humor que J.S. faz (mesmo não concordando com ele algumas vezes) e odeio imensamente G.B, e a sua propaganda conservadora. Algures no vídeo, J.S. explora o facto de G.B. perpetuar uma campanha contra o facto de o Governo norte-americano estar constantemente a interferir na liberdade do indivíduo mas, simultaneamente, estar a dizer que os seus espectadores devem fazer "assim e assado".
Não sejamos ingénuos. Se o programa do J.S. é um programa essencialmente humorístico, também defende um ponto de vista - se bem que o próprio J.S. deixa bem claro qual é o seu ponto de vista. Neste caso, estava a defender que G.B. não tem nenhuma moral para criticar o Governo/Estado quando faz exactamente a mesma coisa com os seus telespectadores. E aqui reside uma perigosa confusão (que não sei se é propositada, nem me interessa debater sobre isso): o facto de, supostamente, G.B. e o Governo/Estado fazerem a mesma coisa - isto é, interferirem na vida dos indivíduos - a verdade é que o que ambos fazem é completamente diferente.
Vejamos. O Estado foi definido por Max Weber como o detentor legítimo do monopólio do uso poder coercivo da força. Ignorando, por ora, se é ou não legítimo, a verdade é que a realidade é que o Estado é actualmente a única instituição que pode legalmente coagir os indivíduos a agir de modo diferente através da ameaça (ou prática) do uso da força. Graças ao uso das forças policias e afins, o Estado dá um forte (decisivo?) incentivo para não se incorrer em comportamentos que ele não aprova. Portanto, quando G.B. diz que o Estado interfere na vida dos indivíduos não está a dizer nenhuma mentira, está a constatar um facto.
O caso de G.B. é diferente. Ele não pode recorrer legalmente à força para obrigar os seus telespectadores/ouvintes/leitores a cumprirem aquilo que ele diz. Se é verdade que ele usa falácias argumentativas para atingir o seu fim, G.B. não dispõe das mesmas armas do Estado para o fazer. Está, essencialmente, a fazer uso do seu direito de expressão de uma opinião com a qual a sua audiência poderá ou não concordar. Está a argumentar. E não há nada de errado moralmente com essa situação - pelo menos, para qualquer pessoa que defenda a liberdade.
Será então aquilo que J.S. procura demonstrar verdade? Nem por sombras. G.B. pode ou não ter razão naquilo que diz, mas tem todo o direito em procurar influenciar o seu público para algo que ele ache mais correcto. G.B. não obriga as pessoas a fazerem aquilo que ele sugere, elas são livres de mudar de canal, de o mandar dar uma volta, de o ignorar, de discordar dele e de fazerem o mesmo que ele. O Estado, por seu lado, força os indivíduos a cumprirem aquilo que "sugere". Dá fortíssimos incentivos (que mais nenhuma instituição pode jamais oferecer dentro dos termos da lei) para que a sua vontade seja cumprida. Por isto, G.B. e o Estado estão em planos morais completamente distintos. G.B. tem toda a moral para fazer aquilo que faz. Será sempre interessante pensar se o Estado também a tem.
Não sejamos ingénuos. Se o programa do J.S. é um programa essencialmente humorístico, também defende um ponto de vista - se bem que o próprio J.S. deixa bem claro qual é o seu ponto de vista. Neste caso, estava a defender que G.B. não tem nenhuma moral para criticar o Governo/Estado quando faz exactamente a mesma coisa com os seus telespectadores. E aqui reside uma perigosa confusão (que não sei se é propositada, nem me interessa debater sobre isso): o facto de, supostamente, G.B. e o Governo/Estado fazerem a mesma coisa - isto é, interferirem na vida dos indivíduos - a verdade é que o que ambos fazem é completamente diferente.
Vejamos. O Estado foi definido por Max Weber como o detentor legítimo do monopólio do uso poder coercivo da força. Ignorando, por ora, se é ou não legítimo, a verdade é que a realidade é que o Estado é actualmente a única instituição que pode legalmente coagir os indivíduos a agir de modo diferente através da ameaça (ou prática) do uso da força. Graças ao uso das forças policias e afins, o Estado dá um forte (decisivo?) incentivo para não se incorrer em comportamentos que ele não aprova. Portanto, quando G.B. diz que o Estado interfere na vida dos indivíduos não está a dizer nenhuma mentira, está a constatar um facto.
O caso de G.B. é diferente. Ele não pode recorrer legalmente à força para obrigar os seus telespectadores/ouvintes/leitores a cumprirem aquilo que ele diz. Se é verdade que ele usa falácias argumentativas para atingir o seu fim, G.B. não dispõe das mesmas armas do Estado para o fazer. Está, essencialmente, a fazer uso do seu direito de expressão de uma opinião com a qual a sua audiência poderá ou não concordar. Está a argumentar. E não há nada de errado moralmente com essa situação - pelo menos, para qualquer pessoa que defenda a liberdade.
Será então aquilo que J.S. procura demonstrar verdade? Nem por sombras. G.B. pode ou não ter razão naquilo que diz, mas tem todo o direito em procurar influenciar o seu público para algo que ele ache mais correcto. G.B. não obriga as pessoas a fazerem aquilo que ele sugere, elas são livres de mudar de canal, de o mandar dar uma volta, de o ignorar, de discordar dele e de fazerem o mesmo que ele. O Estado, por seu lado, força os indivíduos a cumprirem aquilo que "sugere". Dá fortíssimos incentivos (que mais nenhuma instituição pode jamais oferecer dentro dos termos da lei) para que a sua vontade seja cumprida. Por isto, G.B. e o Estado estão em planos morais completamente distintos. G.B. tem toda a moral para fazer aquilo que faz. Será sempre interessante pensar se o Estado também a tem.
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